gorda, de qualquer forma
troquei o pão folhado por uma deliciosa tortinha de limão. nahm nham.
troquei o pão folhado por uma deliciosa tortinha de limão. nahm nham.
por vezes, ela acordava no meio da madrugada, com dor de estômago. e como quem tem carinho, ele deitava junto dela, afagava seus cabelos e falava coisas tranqüilas, até a dor passar e ela quase dormir. sim, porque antes que o sono a derrubasse de vez, ela tratava de expulsá-lo da cama, já que era uma dorminhoca egoísta e espaçosa.
e hoje ela vê que o que não faltava era vontade de dividir, que hoje sobra muito espaço.

"I don’t feel the sun’s coming out today
It’s staying in… It’s gonna find another way
As I sit here in this misery
I don’t think I’ll ever know, oh Lord
See the sun from here
And oh! As I fade away
They’ll all look at me and say, and then they’ll say
"Hey, look at him! I’ll never live that way"
But that’s ok, they’re just afraid of change
And when you feel life ain’t worth living
You’ve got to stand up, and take a look around, look
up way to the sky
And when your deepest thoughts are broken
Keep on dreamin’ boy, ‘cause when you stop dreamin
it’s time to die
And as we all play parts of tomorrow
Some ways we’ll work, and other ways we’ll play
But I know we can’t all stay here forever
So I’m gonna write my words on the face of today
and then they’ll paint it
And oh! As I fade away
They’ll all look at me and say, and then they’ll say
"Hey look at him, and where he is these days"
when life is hard, you have to change…
When life is hard you have to change."

quando eu ligo, eu sou chata. quando não ligo, sou relapsa. quando escrevo, eu sou chata. quando fujo, sou má. quando convido, sou chata. quando resolvo ir sozinha, sou vingativa. quando desprezo, sou chata. quando elogio, sou mentirosa. quando falo sem parar, sou chata. quando não falo, sou ruim.
eu quero entender.
de qualquer forma, me sinto burra: ou não estou vendo que tudo isso é de verdade e perdendo antes mesmo de ter, ou estou caindo no jogo sujo da canalhice.
mas, basta. nunca vou saber.
Todo dia, ao chegar no local de trabalho, descia até o super e comprava um pão francês folhado. Uma verdadeira delícia para os apreciadores do pão quentinho e pouco crocante, e tudo por menos de um real! Depois me dirigia até a salinha da secretária e escolhia o chá do dia, que geralmente era de cidreira - ou de boldo, caso a noite anterior tenha sido forte. Mas sempre gostei de cidreira. Lembro que, quando criança, me cortava com aquelas "folhas" ásperas e pegajosas e geralmente queimava a língua com o chá quente. Sempre fui um pouco desastrada. Pois bem, estava falando do chá e da salinha da secretária. Os envelopes de chá ficam lado a lado, organizados por cores, dentro de uma cestinha de vime. Além da térmica com água quente, também tem o café, sempre com gosto de ontem. Pegava o pão quentinho, o chá fervendo, ia para a minha sala e comia com vontade, deixando farelos pela mesa, pelo chão, entre as teclas do computador. Um nojo. Muitas vezes o telefone tocava enquanto eu estava com a boca cheia, e o meu "Marketing, bom dia!" saía meio engasgado. Era assim que meu dia começava, desde fevereiro de 2006. Nada surpreendente, mas com um pão francês folhado quentinho sempre à minha espera.
E essa falta de surpresa, de perspectiva, de novidades, fazia com que me apegasse cada vez mais ao pão francês folhado, pois ele, afinal, era a única parte realmente gostosa do meu dia.
Mas, a partir da próxima semana, o cardápio do café da manhã será outro, o que me dá medo e, ao mesmo tempo, me excita. Perderei o pão francês folhado e o chá de cidreira nostálgico. Deixarei milhões de farelos entre as teclas do computador e algumas horas a compensar. Mas estou extremamente feliz em poder dizer "Bye bye, Bourbon".
eu vi você atravessar a rua, molhando a sombra na água. eu vi você parar a lagoa parada. você atravessou a rua, na direção oposta, pisando nas poças, pisando na lua. e a poesia refletida ali me deu as costas. e pra que palavras, se eu não sei usá-las? cadê palavra que traga você daquela calçada?
você atravessou a rua, na direção contrária. e a poesia que meu olho molhava ali quem sabe não me caiba, quem sabe seja sua. ali, atravessando a chuva, e toda a lagoa parada.
você na direção errada, e eu na sua.
* adriana calcanhoto
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