eles vão pegando sempre o mesmo tipinho, daquelas bonitinhas, bem ajeitadinhas, cheirosas e simpáticas. aquelas de salto, que fazem escova e combinam a bolsa com o sapato. aquelas que são saudáveis, cuidam do corpo e da mente. até que um dia descobrem que o mundo está cheio de bonitinhas, cheirosas, simpáticas e praticantes de pilates e, por este motivo, são tão banais. acabam vendo que se pode ser tão mais feliz com as tortas, as escabeladas, as narigudas, as esquisitas, as mal-humoradas, as fofinhas, as enroladas ou as naturalmente perfumadas. ah! as loucas também.
insistem em querer exibir o belo em alguns jovens momentos da vida, até ver que o belo é insuficiente quando se quer amor. e descobrem que querem amor quando entendem que viver sozinhos ou acompanhados simplesmente por alguém não significa nada, quando percebem o quanto é importante e intenso estar ao lado de alguém como ela.
bom é pode rir da mega espinha na cara, ter sucesso em fazer ela rir, apesar do cansaço. aprender uma nova língua, inventar palavras, cantar juntos, gritar juntos, pular juntos, entristecer juntos, dormir juntos, acampar juntos. ver ela tropeçar nas próprias pernas e achar graça de tanta falta de coordenação. ouvir suas longas histórias sobre como fazer arte com canudinhos, escutar sobre sua estranha mania de enfiar a orelha pra dentro do ouvido sempre que tem sono. ver ela subir no palco e admirar tanto talento.
só se ama o diferente, o surpreendente. e que bom que eles algum dia vão descobrir.