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de volta:
só eu soube que gostava, nunca deixei isso transparecer pra ti. ou deixei e tu não deu a mínima. e só percebi agora, depois de muito tentar me enganar. depois de sofrer por outros alguéns, entrei de cabeça nesse jogo de ver quem despreza mais, de querer mostrar força e não cair de amores. tentei, mas a cada virada de rosto, mais eu queria. a cada abraço de desdém, a cada nova moçoila que surgia do teu lado, mais eu percebia que te queria comigo. na verdade a gente sempre ficou intercalando beijos e olhares carinhosos com frases e atitudes indiferentes, os melhores ingredientes pra eu me apaixonar. e agora estou com essa sensação de perda que finalmente fez eu cair em mim e entender que poderia ter sido feliz ao teu lado.
fico pensando em como teria sido se não tivesse te expulsado da tua própria cama, se não tivesse ido embora tão cedo. se tivesse bebido menos, conversado mais. se tivesse dito que sim, que gostava. que sim, que era só ligar. que sim, eu estaria ali a qualquer hora.
aí vem outra e outra pessoa e nada. só servem pra eu lembrar ainda mais do teu corpo pequeno e das coisas que falamos, pessoalmente ou não. muitos têm falado sobre minha voz engraçada, o que faz com que eu lembre de ti e perceba que isso, vindo de outras pessoas, não tem a mesma graça.
mas vai ser sempre assim. passarão mais um ou dois anos (como tem sido) e, num dia chuvoso, já sem namorado ou namorada, talvez combinemos de ir a uma festinha e dançaremos até o pé doer. daí vou te roubar um beijo e tu vai ficar brabo, mas depois de alguns minutos, dará risada. e eu vou te bloquear no msn por alguma grande bobagem que tu vai me dizer e tu vai fazer o mesmo quando eu começar a falar sobre coisas meigas.
agora chega de melação. eu vou trabalhar.
"É, só eu sei quanto amor eu guardei
Sem saber que era só prá você" (Tom Jobim)