dialética
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste… Vinícius de Moraes
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste… Vinícius de Moraes
um dia antes da virada do ano, parei para pensar um pouco, algo que realmente faço com pouca frequência (ainda não me desliguei totalmente do trema e da ortografia que aprendi há muito, a propósito). meus dias têm sido automáticos, meus momentos de lazer têm sido automáticos, minhas palavras e conversas têm sido automáticas. há pelo menos uns 3 ou 4 anos, acionei um certo piloto em mim e assim vai ser até encontrar um novo motivo para que ele se desligue e a gressi manual volte a comandar seus dias.
na ocasião rara, pensei no porquê o natal, o ano novo e todas estas datas festivas de final de ano já não faziam sentido pra mim… por que a minha despreocupação com presentes, com ceia, com programações, com resoluções?! o que sempre foi sinônimo de felicidade, uma passagem para uma nova fase, agora passa quase despercebido pelo meu calendário.
quando criança e adolescente, o natal trazia presentes, trazia chocolate, trazia passeios para ver as luzes da cidade, sorrisos e mais sorrisos. o ano novo anunciava uma nova série, uma nova professora, novos colegas, materiais escolares com aquele cheirinho de novo que eu adorava. tinha o sonho do vestibular, o sonho da faculdade, de se tornar gente o mais rápido possível.
então me tornei gente. passeino vestibular, estou praticamente formada. trabalho pelo menos 5 dias por semana, pelo menos 10 horas por dia, recebo um salário ao final do mês (que serve para pagar as contas do mês anterior) e encontro os amigos via burocracias desta nova era: e-mails solicitando a presença em determinado restaurante, encontros marcados com pelo menos 5 dias de antecedência, pra que todos se agendem com alguma facilidade.
e entra ano, sai ano, tudo continua igual. foguetes no dia 31, trabalho no dia 02, no dia 03 e assim pelo resto do ano. a incapacidade de traçar planos e objetivos é proporcional à certeza de que, enquanto gente, nada vai se modificar.
os anos vêm para provar que a vida segue, de uma forma ou de outra. que ser gente é seguir o sistema das outras gentes, de ir tocando as coisas à espera de alguma realização inesperada, quase esquecida, que faça alguma coisa mudar.
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em tempo, ontem ouvi uma música bonita do almir sater, que devido ao modo automático, nunca havia prestado a merecida atenção:
"Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou
Nada sei, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz,
conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir
Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,
Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz"
melhor filme de 2009 até agora (que patético): O MENINO DO PIJAMA LISTRADO.
Recomendo e já aviso que é um verdadeiro soco no estômago, um tapa na cara que faz a gente despertar e começar o ano repensando algumas coisas.
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