humpf.

27 January, 2009

dialética


É claro que a vida é boa

E a alegria, a única indizível emoção

É claro que te acho linda

Em ti bendigo o amor das coisas simples

É claro que te amo

E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste…   Vinícius de Moraes

12 January, 2009

a gente vai levando

um dia antes da virada do ano, parei para pensar um pouco, algo que realmente faço com pouca frequência (ainda não me desliguei totalmente do trema e da ortografia que aprendi há muito, a propósito). meus dias têm sido automáticos, meus momentos de lazer têm sido automáticos, minhas palavras e conversas têm sido automáticas. há pelo menos uns 3 ou 4 anos, acionei um certo piloto em mim e assim vai ser até encontrar um novo motivo para que ele se desligue e a gressi manual volte a comandar seus dias.

na ocasião rara, pensei no porquê o natal, o ano novo e todas estas datas festivas de final de ano já não faziam sentido pra mim… por que a minha despreocupação com presentes, com ceia, com programações, com resoluções?! o que sempre foi sinônimo de felicidade, uma passagem para uma nova fase, agora passa quase despercebido pelo meu calendário.

quando criança e adolescente, o natal trazia presentes, trazia chocolate, trazia passeios para ver as luzes da cidade, sorrisos e mais sorrisos. o ano novo anunciava uma nova série, uma nova professora, novos colegas, materiais escolares com aquele cheirinho de novo que eu adorava. tinha o sonho do vestibular, o sonho da faculdade, de se tornar gente o mais rápido possível.

então me tornei gente. passeino vestibular, estou praticamente formada. trabalho pelo menos 5 dias por semana, pelo menos 10 horas por dia, recebo um salário ao final do mês (que serve para pagar as contas do mês anterior) e encontro os amigos via burocracias desta nova era: e-mails solicitando a presença em determinado restaurante, encontros marcados com pelo menos 5 dias de antecedência, pra que todos se agendem com alguma facilidade.

e entra ano, sai ano, tudo continua igual. foguetes no dia 31, trabalho no dia 02, no dia 03 e assim pelo resto do ano. a incapacidade de traçar planos e objetivos é proporcional à certeza de que, enquanto gente, nada vai se modificar.

os anos vêm para provar que a vida segue, de uma forma ou de outra. que ser gente é seguir o sistema das outras gentes, de ir tocando as coisas à espera de alguma realização inesperada, quase esquecida, que faça alguma coisa mudar.

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em tempo, ontem ouvi uma música bonita do almir sater, que devido ao modo automático, nunca havia prestado a merecida atenção:

 "Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou
Nada sei, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente,

Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz,
conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,
Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz"

 

2 January, 2009

tapa na cara

melhor filme de 2009 até agora (que patético): O MENINO DO PIJAMA LISTRADO.

Recomendo e já aviso que é um verdadeiro soco no estômago, um tapa na cara que faz a gente despertar e começar o ano repensando algumas coisas.

 

 






















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