a gente vai levando
um dia antes da virada do ano, parei para pensar um pouco, algo que realmente faço com pouca frequência (ainda não me desliguei totalmente do trema e da ortografia que aprendi há muito, a propósito). meus dias têm sido automáticos, meus momentos de lazer têm sido automáticos, minhas palavras e conversas têm sido automáticas. há pelo menos uns 3 ou 4 anos, acionei um certo piloto em mim e assim vai ser até encontrar um novo motivo para que ele se desligue e a gressi manual volte a comandar seus dias.
na ocasião rara, pensei no porquê o natal, o ano novo e todas estas datas festivas de final de ano já não faziam sentido pra mim… por que a minha despreocupação com presentes, com ceia, com programações, com resoluções?! o que sempre foi sinônimo de felicidade, uma passagem para uma nova fase, agora passa quase despercebido pelo meu calendário.
quando criança e adolescente, o natal trazia presentes, trazia chocolate, trazia passeios para ver as luzes da cidade, sorrisos e mais sorrisos. o ano novo anunciava uma nova série, uma nova professora, novos colegas, materiais escolares com aquele cheirinho de novo que eu adorava. tinha o sonho do vestibular, o sonho da faculdade, de se tornar gente o mais rápido possível.
então me tornei gente. passeino vestibular, estou praticamente formada. trabalho pelo menos 5 dias por semana, pelo menos 10 horas por dia, recebo um salário ao final do mês (que serve para pagar as contas do mês anterior) e encontro os amigos via burocracias desta nova era: e-mails solicitando a presença em determinado restaurante, encontros marcados com pelo menos 5 dias de antecedência, pra que todos se agendem com alguma facilidade.
e entra ano, sai ano, tudo continua igual. foguetes no dia 31, trabalho no dia 02, no dia 03 e assim pelo resto do ano. a incapacidade de traçar planos e objetivos é proporcional à certeza de que, enquanto gente, nada vai se modificar.
os anos vêm para provar que a vida segue, de uma forma ou de outra. que ser gente é seguir o sistema das outras gentes, de ir tocando as coisas à espera de alguma realização inesperada, quase esquecida, que faça alguma coisa mudar.
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em tempo, ontem ouvi uma música bonita do almir sater, que devido ao modo automático, nunca havia prestado a merecida atenção:
"Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou
Nada sei, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz,
conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir
Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,
Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz"


Torço para que tudo dê certo no final, queri, para todos nós.
Beijo
Comment by Pati Benvenuti — 19 January, 2009 @ 10:43 am
já perdi as contas de quantas vezes já olhei pra esse texto e quis comentar. na verdade, não tenho o que dizer. aliás, tenho. não quero concordar contigo, mas, talvez, concorde mais do que gostaria. bejô.
Comment by emily — 21 January, 2009 @ 11:12 pm
já perdi as contas de quantas vezes já olhei pra esse texto e quis comentar. na verdade, não tenho o que dizer. aliás, tenho. não quero concordar contigo, mas, talvez, concorde mais do que gostaria. bejô.
Comment by emily — 21 January, 2009 @ 11:12 pm