humpf.

2 December, 2008

das dores e feridas

É como se tivesse aberto a caixinha de lembranças que fica na cabeceira da cama. Aos poucos, fui tirando de dentro da memória os cartões, os abraços, os carinhos, os planos. Lembrei das noites frias, da cama quente, das palavras bonitas. Lembrei do chão, lembrei da lanterna, lembrei da sacada e da lua. E como quem tivesse perdido tudo, chorei até a madrugada entrar pela janela, até as costas doerem de tanto soluçar.

Ainda com os óculos sujos pelas lágrimas, levantei e tomei alguns goles d’água, engolindo o gosto salgado do choro. Pensei no quanto os últimos anos me fizeram mal, no quanto - desmerecidamente - pessoas têm me feito sofrer com sua infantilidade, arrogância ou indiferença.

Voltei pros lençóis e os olhos ardidos me fizeram adormecer e acordar no outro dia, com a cara inchada e vermelha. O espelho ainda comprovou o quão idiota se pode ser ao derramar o pranto pelo que não volta.

Mas é assim. Nada é apagado da minha vida quando sua importância é relevante a ponto de me fazer triste.

26 November, 2008

voando…


collapse, do sparta.

meu neném

desde que ele chegou, eu sou um pouquinho mais feliz :)

 
dá a pata! 

gremistas! 

taí o novo gremista da casa, com 2 meses e alguns dias. sim, ele tá gigante e lindo e fofo. pra quem não consegue visualizar, é a bolota preta entre eu e clarissa b.

25 November, 2008

de maracujá

Fungando, desligou o telefone, dizendo que não era nada além de gripe. Na verdade, a vontade era de chorar, mas as lágrimas não desciam, o soluço ficou trancado na garganta. Talvez porque não era pra se chorar, mesmo. Já deveria ter se acostumado com o amadorismo juvenil de algumas pessoas, não? Já deveria ter se acostumado com as trocas e escolhas dos outros.

Saiu da posição fetal que estava na cama, lavou a cara, botou meias e o tênis do final de semana e desceu. "Suco de maracujá", pensou. Só um suco de maracujá e uma volta pela cidade  para acalmar os nervos naquela hora, pra fazer a coisa ruim passar e voltar a si. Ela sempre gostou de sair por aí, andando e andando, sem rumo. Pensando nos carros, no que as pessoas da parada de ônibus estavam conversando ou no que teria dentro da sacola que estava no meio da rua.

Seguiu até a lancheria, esperou pelo garçom. Pastel de carne e suco de maracujá. Reparou as unhas vermelhas, a mesa vazia e a quantidade de homens ao seu redor e, por alguns instantes, achou que podiam confundí-la com meninas menos nobres.

Devorou o pastel e até pensou em pedir mais um, mas acalmou-se. Não era necessário descontar a raiva em pastéis, melhor no suco de maracujá. Tomou até o último gole, mastigou as sementinhas já trituradas. Um arrepio causado pelo gostinho ácido, azedo e ao mesmo tempo gostoso, incomparável. Pagou e saiu.

Um vento na cara, característico dos tempos de primavera. Estava mal agasalhada, fechou o casaco jeans, enfiou as mãos nos bolsos na tentativa de aquecê-las. Mas as orelhas continuavam geladas e orelhas geladas não é uma boa sensação. Começou a mexer na orelha, como sempre. Mexeu, mexeu e, quando viu, já estava na sinaleira e, por pouco, não fora atropelada.

Atravessou a rua e sentiu alguém próximo, ao lado. Olhou e vium um barbudo de bicicleta a lhe seguir. Reconheceu naquele momento e sorriu. Ele sorriu também e cumprimentaram-se superficialmente. Ela lhe contou sobre o suco de maracujá e ele falou sobre o perfume dela, o de sempre, que ele estava sentindo desde a última quadra, motivo pelo qual resolveu seguí-la.

 
Ele a deixou na porta de casa, educadamente, então um beijo e um adeus cabisbaixo, com a mesma cara de "talvez", fisionomia corriqueira há alguns bons anos.

24 November, 2008

melhor que gostar de alguém por admiração ao seu trabalho, …

… é aprender a gostar de alguém antes mesmo de enteder o que ele faz e passar a admirá-lo sem muita razão.

É compreender que o beijo bom pode ser único, que ele pode ter três anos a menos, 19 a mais, não importa. O importante é gostar, é se sentir bem, é saber que pode contar, é entender o carinho como de um ser humano pra outro, não de um dentista para uma advogada ou qualquer coisa parecida.

****

Enquanto existem Marias-gasolina, Marias-chuteira, Marias-palheta, Marias-baqueta, eu prefiro ser a Maria-vai-ser-feliz-com-quem-te-gosta. Obviamente, sempre dando maiores chances aos moços com um nível de português - no mínimo - intermediário.

rá-rá.

 

21 November, 2008

lo peor del día

Tanguera profí no Laika.

Andrezito: O Favorito. 

18 November, 2008

pior que se quebrar, é ter que explicar como foi

Para aqueles que já se quebraram e sabem que ficar dando explicação de como ocorreu o acidente é algo cansativo e chato, apresento-lhes as tipóias explicativas - melhor invenção inútil dos últimos tempos.

 

 

 

Na verdade, acho que isso será ótimo para os casos onde a fratura ou luxação for causada por algum motivo extremamente idiota, do tipo: "tava na garupa do meu primo, bêbado, quando rolamos barranco abaixo". Você pode se safar dessa explicação usando uma tipóia com uma explicação muito mais máscula, do tipo "tava fazendo rapel e o freio soltou", sem precisar gaguejar ou deixar qualquer dúvida no ar.

Curti. :)

 

17 November, 2008

NO lugar errado

o "no" está no lugar errado ou é pra ser desse jeito tosco aí mesmo: "no do-it-yourself"? interpretações completamente diferentes, que me fizeram rir neste sábado-bêbado-de-feira-do-livro-com-o-menino-adorno.

 

11 November, 2008

é.

"A felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar. Voa tão leve, mas tem a vida breve, precisa que haja vento sem parar. A felicidade do pobre parece a grande ilusão do carnaval: a gente trabalha o ano inteiro por um momento de sonho, pra fazer a fantasia de rei, ou de pirata, ou jardineira, e tudo se acabar na quarta-feira. Tristeza não tem fim, felicidade sim…"

3 November, 2008

entre borrachas e apontadores…

De tão saudosa, tive que escutar Trem da Alegria e lembrar das minhas façanhas infantis, que incluem fazer campinho de futebol, descer a lomba com o carrinho de rolimã, jogar bolinha de gude, subir nas árvores, construir casinhas de madeira, brincar de esconde-esconde e me atirar na sacada de casa, espalhando pelo chão um pouco de água e sabão pra deslizar bem. Lembrei dos tombos desastrosos e das tantas vezes que minha mãe pedia pra eu vestir a parte de cima da roupa, porque eu andava por aí só de calcinha, mostrando os faróizinhos que eu sequer sabia pra que serviam.

Lembrei das roupas da barbie que eu mesma produzia e da personagem que eu encarava em qualquer brincadeira com bonecas: a da pobretona que morava na rua, coberta por um pedaço de papelão e um cachorro (inspirada na Punky). Não sei por quê, mas sempre queria ser a renegada… Talvez porque eu me emocionasse mais brincando assim, tanto que chegava a chorar de verdade, tocada pela história da minha pobre barbie morta de fome.

Lembrei das festas juninas, da fogueira, das bergamotas e da grama fresquinha. Da sapata feita com o resto de gesso do vizinho, do comércio de folhas e galhos que eu mesma fazia e chamava de livraria: as folhas eram os livros, os galhos eram os lápis, e tudo era vendido a preços módicos. Lembrei dos cachorros pulguentos, do elástico e do elefantinho colorido, em que eu era bastante rápida. Lembrei da comida feita de barro e ovo, que na minha cabeça virava um delicioso bolo de chocolate.

Lembrei da bici descendo a milhão, do skate de caveira verde - que me tornava uma pessoa má, quase uma vilã - o que era muito divertido. Lembrei do detetive, do pife, da roleta, do jogo da vida, do banco imobiliário e do quebra-cabeça gigante. Lembrei da casa da Mônica, onde eu fabricava colares de missanga e fazia escambo com doces ou peças de roupa antigas. Lembrei do chefe manda, onde exercia desde pequena minha fama de líder.

Lembrei do enterro que fiz pro passarinho que havia sido amassado na rua, das orações que fazia por ele todos os dias, ao pé do montinho de terra e da pequena cruz feita com fósforos. Lembrei do verde, do azul, da água limpinha e dos banhos de chuva no verão. Me recordei da piscina de mil litros, das guerras com mangueira e do Tio Agenor, dono da vendinha onde todos os anos eu comprava o presente de dia das mães, que certa vez foi um singelo papel de carta, e noutra, uma pulseira chique de bolinhas.

De tão saudosa, ouvi Trem da Alegria e me lembrei de muito, de tudo que a minha memória seletiva ainda considera importante.

 

"Cola o teu desenho no meu
Pra vê se cola" …

 

 

31 October, 2008

eu sempre soube

Uma das minhas principais características é o PESSIMISMO. Não que isso atrapalhe a minha vida ou me torne uma pessoa ranzinza, rabujenta, muito pelo contrário: continuo vivendo as coisas alegremente, mas sempre com um plano B na cabeça, caso as coisas não dêem certo.

Pois bem. Estava eu em um consultório (fui ao médico porque já previa algo de ruim acontecendo), lendo a Superinteressante do mês de junho e me deparo com este belo texto, que defende todas as minhas visões sobre como é melhor viver a vida com pessimismo. Nada desse troço de "O Segredo", otimismo é para os que gostam de ilusão.

Abaixo, a matéria:

 "Pensamento positivo funciona? Parece que sim, mas nem sempre. Há pesquisas comprovando que ele facilita conexões no cérebro, outras dizendo que os efeitos param por aí. A grande questão, porém, não é saber se dá certo ou não. O pensamento positivo pode até nos ajudar a conquistar objetivos, mas nos afasta de uma vida realmente feliz. Além disso, para coisas bem importantes do mundo de hoje – as leis, a política e a sua felicidade – , o que traz resultados mesmo é o genuíno pessimismo, o mais declarado sentimento de que isto não vai dar certo.

 

Vamos supor que você quer economizar para comprar um carro ou passar numa bolsa de mestrado na Europa. Pensa positivo, trabalha e consegue. Legal, não? Pelo menos por um instante. Depois, é muito comum cairmos no ciclo de desejo e frustração que foi descrito pelo filósofo Arthur Schopenhauer: desejamos, conseguimos, nos entediamos, percebemos que a vida segue como sempre e partimos para outro desejo. Para o filósofo alemão, objetivos são apenas modos de esconder a dor de viver e a falta de sentido na vida. Quando realizados, deixam de ter importância. “São dessa natureza os esforços e os desejos humanos que nos fazem vibrar diante de sua realização como se fossem o fim último da nossa vontade; mas, depois de satisfeitos, mudam de fisionomia, esquecidos ou relegados, colocados de lado como ilusões desfeitas. “Para fugir do ciclo de vontade e frustração, Schopenhauer, conhecido como “filósofo do pessimismo”, sugere que as pessoas deixem de dar tanto valor a desejos cotidianos. E que aceitem que sofrer não só faz parte da vida como dá sentido a ela: o grande desafio da nossa existência seria aprender a lidar com o sofrimento.

 

Não pense que esse ponto de vista deixa a vida mais difícil. Pelo contrário. Os pessimistas se cobram menos e dormem melhor. Já a auto-ajuda baseada no otimismo tem o efeito oposto. Você já deve ter topado com livros que ensinam a enxergar o mundo de forma mais alegre ou com aqueles ods para repetir, 80 vezes por dia, “eu posso, eu consigo, eu penso positivo”. A idéia é nos fazer acreditar que podemos ultrapassar qualquer barreira, conquistar qualquer objetivo por esforço próprio – e muita gente de fato consegue. O problema é que, quando se descobre que nem sempre é assim, muitos acabam em pânico. Pânico de verdade – e também ansiedade e insônia. Segundo o psiquiatra e psicanalista Mario Eduardo Costa Pereira, professor da Unicamp e autor do livro Psicopatologia dos Ataques de Pânico, uma vítima comum desse tipo de distúrbio são mulheres bem-sucedidas e perfeccionistas. Desde cedo, elas aprenderam a se virar sozinhas. Quando se deparam com uma limitação, sofrem crises horríveis. O melhor jeito de evitar esse problema? Jogando fora os livros de pensamento positivo e admitindo nossa condição de finitude, nossas fraquezas e limitações.

 

Otimismo mata

Na história, o otimismo tirou o sono não só de indivíduos mas de povos inteiros. Pegue por exemplo um dos períodos mais otimistas da civilização – o século 19. A revolução científica fazia o homem acreditar que poderia, pela razão, resolver qualquer problema tecnológico ou social, criando máquinas para trabalharmos menos e novas instituições para vivermos em paz. E o que aconteceu foi que a tecnologia também criou a guerra das mortes em massa. Como disse o cardeal Joseph Ratzinger antes de virar papa Bento 16, “cada vez se torna mais claro que o progresso é também um progresso das possibilidades de destruição”. Do mesmo modo, os revolucionários do século 19 imaginavam que poderiam derrubar todas as instituições e começar outras do zero, criando uma sociedade perfeita. Suas utopias viraram regimes totalitários no século 20.

– Mas então é errado lutar para que o mundo seja um lugar melhor?

 

Não! É OK querer melhorar o mundo – só que o jeito mais eficiente de fazer isso é com pessimismo. Ele está na raiz de todas as coisas que garantem uma boa vida hoje em dia. Para garantir paz a seus cidadãos, a defesa militar de um país precisa levar em conta o pior cenário de guerra. O sistema político que mais assegura a democracia é o que divide direitinho o poder entre o Judiciário, o Legislativo e o Executivo, prevendo que um vai querer cortar as pernas do outro. Uma boa lei também pressupõe as piores ações dos piores sujeitos. Como disse o dramaturgo americano David Mamet num artigo publicado em abril, a Constituição dos EUA funciona espetacularmente bem porque “em lugar de sugerir que nos comportemos todos como deuses, reconhece que as pessoas são porcos e aproveitarão qualquer oportunidade que lhes aparecer para subverter qualquer pacto, visando a defender o que consideram ser seus interesses próprios”. Na verdade, existe aí um motivo para ser otimista. Se pensarmos sempre negativamente, se desconfiarmos sempre do nosso caráter, talvez exista uma possibilidade, mesmo que bem pequena, de as coisas darem certo."

 

 

29 October, 2008

dio santo, essa juventude me faz cair os butiá dos bolso!

lidio, o menino que acha que é o paraíba, e o pequeno igor, o mestre no estraga-prazer. prestem atenção na fala inicial e na olhadinha para o lado.


dica do amigo jonão.

23 October, 2008

vote para presidente dos EUA!

Descobri um site bacana, que mostra a opinião das pessoas de diversos países sobre quem deveria ser o novo presidente dos EUA.

No site você pode votar, preencher uma ficha de perfil e acompanhar o que o restante do mundo escolheria, se pudesse decidir alguma coisa.

Mas pasmem: no Afeganistão, a maioria (dos internautas) são republicanos. ¬¬

 

 

22 October, 2008

de cabeça pra baixo

Eu não sei se vocês faziam isso, mas me recordo muito bem de brincar de falar de cabeça pra baixo com o meu irmão. Dessa forma, parece que seu queixo é a cabeça e o aspecto da fala fica muito mais engraçado, já que o lábio superior parece ser muito maior, os dentes menores e parece que você tá falando com um mangolão.

Exemplo abaixo:

 

E me lembrei muito disso quando vi este blog: Upside Down Dogs. O site traz diversas fotos de cachorros com suas imensas bochechas, de cabeça pra baixo. Deste ângulo, aqueles bichinhos fofos que temos em casa se tornam até bizarros ou ficam muito desfigurados! Tem uns muito engraçados… Dêem uma olhada! :)

 

 

21 October, 2008

mãe aos 23

há duas noites eu não durmo e tudo é culpa do fidel (aquele cachorro lindo, querido, fofo, amado, brincalhão e bobinho ali do post abaixo).

ele brinca, pula, morde, roe e dorme às 8 da noite. depois acorda a meia noite querendo comer. e novamente acorda as 2, 4 e 6 da manhã querendo brincar. morde o dedão do pé, ataca a calça do pijama e o cabo da internet, além de infernizar a vida dos vizinhos abrindo o berreiro.

e eu achando que já era suficientemente hiperativa…

 

 

 

 

20 October, 2008

chinelagem contra-ataca

AS ORGANIZAÇÕES BECO E SPEED TOMARÃO CONTA DO MUNDO.

- O Beco anda dominando a cena rock (?) de Poa. Não bastasse o Cabaret, abriram mais um jardim de infância lotado de adolescentes de cabelo esquisito. Mas é uma das únicas opções com festa todos os finais de semana, ou seja, me presto a dar uma de tia.

- O Speed anda comprando tudo que é boteco chinelão nas redondezas da cidade baixa, monopolizando a comida de baixa qualidade e a salmonella na região.

17 October, 2008

quem diria o meu cãozinho…

pessoas! esse é o FIDEL, novo morador do meu apartamento, um labradorzinho preto coisa mais linda! :)

 

14 October, 2008

Skinheads tradicionalistas

Pra quem não me conhece ou não sabe, durante muitos anos de minha adolescência fiz parte do MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho), fui prenda do CTG e da 19ª Região Tradicionalista do RS, ganhei prêmios, apresentei projetos para professores universitários, estudei muito folclore e dei aulas de história e geografia do RS para crianças carentes, além de outros trabalhos voluntários. Também estourei meus joelhos devido à combinação de dança tradicionalista (que sim, exige muito ensaio) + patinação artística. Mas não quero falar dos meus joelhos. Quero falar de algo que abomino que se chama PRECONCEITO.

Enquanto prenda, fora dos padrões das meninas da minha turma, fui sim, muito discriminada. Nunca era convidada pras jantinhas das meninas, riam cada vez que eu tinha de participar de algum evento e ia devidamente pilchada (= trajada) para a escola. Algo que poderia ter me deixado traumatizada, depressiva, triste. Mas eu sinceramente estava CAGANDO e ANDANDO pra galerinha que me olhava com outros olhos.

Foi nesse meio que aprendi a exercitar a oratória, que comecei a me expressar melhor e conquistar meu espaço em outros setores da minha vida, inclusive na própria escola. Sou o que sou hoje muito em virtude de tudo que fiz e aprendi enquanto guria de 12 anos que viajava sozinha e tinha muitas outras responsabilidades além de estudar pro colégio.

Pois bem, como havia dito, se tem algo que abomino é o preconceito. E, quem diria, um dos principais pólos motivadores de atitudes preconceituosas no estado são os CTGs.

Está rolando pela web um tal artigo escrito por um tradicionalista (?) que mora em Santa Catarina (L) que fala sobre "peões delicados" e a influência gay nos CTGs. O texto, de um senhor chamado Ademir Canabarro (que se intitula "O missioneiro"), é repugnante para qualquer pessoa que defende ou entende sobre direitos humanos e liberdade (uma das palavrinhas de nossa querida bandeira, inclusive), principalmente pelo deboche com que trata essa questão.

A primeira frase do texto - "O avanço do homossexualismo no mundo atinge todas as camadas sociais e todas as culturas, é um avanço assustador!" - já mostra com quanta ignorância ele vê a questão do homossexualismo, como se fosse uma doença, uma epidemia contagiosa. Pior ainda é a seguinte parte:

"…querem nos fazer acreditar que isto de homem acasalar com homem, e mulher com mulher é normal e natural. Não acho que seja! Homem acasala com mulher e mulher acasala com homem! Da mesma maneira que cavalo cobre égua e não cavalo, e égua não cobre égua. Égua é coberta pelo cavalo! Isto sim, é natural! Preferências a parte, a liberdade da escolha sexual é uma realidade que também invadiu o tradicionalismo"

Assustadora, caro missioneiro, é a forma com o que o senhor trata o que HÁ MUITO TEMPO acontece em nossa sociedade e sim, dentro dos CTGs. É como se homossexuais fossem incapazes de cultuar e difundir as tradições do estado por uma questão de opção sexual. Nos compara com éguas e cavalos e não tem a inteligência mínima para compreender que, se foi nos dada a capacidade de pensar e discernir, está intrínseco a isso a possibilidade de escolher. E acaba com "Preferências à parte…", como se realmente, independente de toda sua tese, aceitasse as escolhas dos demais.

Eu mesma conheci muitos homossexuais no CTG que fizeram a diferença, que desenvolviam muito bem o seu trabalho de espalhar cultura (afinal, esta é a grande missão dos centros de tradições e do MTG). E não me venha com este papo de macho grosso, missioneiro, porque só se usa este tipo de linguagem quando não se pode usar argumentos racionais. Ser bravo e aguerrido não quer dizer ser IGNORANTE e ESTÚPIDO.

Lendo uma matéria sobre o artigo (que foi apoiado pelo presidente do MTG), percebi que este mesmo meio que me possibilitou crescer e desenvolver habilidades - em virtude do qual fui discriminada e pude entender que fazer isso com alguém pelas opções que esta pessoa toma é retrocesso - é um lugar onde jamais deixaria meus filhos. Acho a nossa música, nossa dança, nossa poesia e herança histórica realmente muito bonitas, mas - antes de mais nada - prezo pela liberdade de expressão, de credo, pela igualdade das raças, pela liberdade de escolha sexual, algo tão fundamental para se viver em paz e se considerar HUMANO e não um simples animal reprodutor.

13 October, 2008

desaconselhável

cada vez mais percebo que conselhos não devem ser dados. há algum tempo já venho poupando meus amigos de seguirem aquilo que eu penso e guardando meus comentários sobre o que eu faria em determinada situação. aviso sobre os perigos, sobre os sofrimentos e possíveis ganhos, mas faço questão de não usar frases como "tu tem que bla bla bla" ou "seria melhor tu bla bla bla". é desnecessário.

ok, isso faz lembrar um certo momento do vídeo do filtro solar (preferencialmente o original e não o do bial). mas é verdade: conselhos servem para si mesmo e só. são uma forma de persuasão a tomadas de atitudes que talvez aquela pessoa não faria, mas motivada por um conselho idiota, acaba fazendo.

ninguém sabe melhor da sua vida do que você e, talvez, sua terapeuta. discordo daquela história de que amigo também é psicólogo, até porque em alguns momentos o grande problema são os amigos e as situações precisam ser vistas de fora. acho que tudo deve ser observado e analisado de acordo com os seus valores, sua vida, sua postura. de nada adianta, por exemplo, me dizerem que devo tentar esquecer o meu passado e fazer de conta que família não existe quando, na verdade, são a coisa mais importante que tenho e jamais deixaria qualquer problema deles passar como irrelevante. 

taí uma coisa que aprendi com a minha mãe, inclusive: cada um é responsável por sua própria cabeça e sabe muito bem o que faz, à sua maneira. agradeço, inclusive, por ela sempre me apoiar, me falar das possíveis perdas e dos ganhos com cada atitude, mas deixar que eu viva, que eu sofra, que eu perca, que eu caia, que eu sorria, que eu conquiste. bater com a cara na parede faz parte da vida dos que se arriscam e só assim é que se aprende e, finalmente, se cresce. SE CRESCE.

enfim, esse amontoado de palavras não é um conselho, apesar dos verbos imperativos. ninguém precisa agir dessa forma caso goste de fazer o que os outros fariam.

10 October, 2008

momento dã

Boris Casoy ganha o prêmio Nobel da Paz.

Observem que o sósia também não tem dentes.

 






















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