Graças aos convites vips da super-queb Elis, pude assistir Ratatouille e comprovar o que muitos de meu círculo social já haviam adiantado: ótimo filme. Posso parecer redundante ou até desprovida de embasamento crítico pra cinema, mas este, assim como Não por acaso, é um dos melhores filmes do ano. Dentre os últimos longas de animação que assisti, Ratatouille só perde pra Madagascar, mas sai na frente de O bicho vai pegar, Carros e Robôs. Ainda não vi Shrek III nem Deu a louca na Chapeuzinho pra fazer qualquer comparação com estes.
Mas eu, que sou fã da cozinha e ainda mais de desenho animado, me derreti em sorrisos durante o filme. Não por ser exageradamente engraçado, mas pelo estigma e perfil de cada pesonagem, que mesmo sendo igual ao de qualquer filmeco de final feliz (o mocinho/herói, o vilão, o idiota, a musa…), explora características interessantes e debochadas:
- o ratinho modesto que sabe ler e sonha em conquistar o mundo com seu olfato e paladar apurado, cuja família é composta por um pai sabe-tudo e um irmão gordo e boboca (divertido!).
- o mangolão sardento e magricela, de pernas tortas e allstar vermelho, que veio ao mundo sem talento e, mesmo assim, conquista as menininhas
- o chef de cozinha nanico e asqueroso, com cara de mexicano e prepotência de sobra, que pretende destruir a vida e os planos do pobre mangolão;
- o crítico de gastronomia à moda Clodovil (mais elegante e menos enviadado), blasé ao extremo: olhar de desprezo, óculos de leitura caídos sobre o saliente nariz, paletó de ombreiras largas, calças justíssimas.
- a chef de cozinha corpão-violão e cabelo chanel, que na verdade é uma dessas modernetes solteironas que dirigem motos gigantes e usam roupas de motociclismo (blé!)
O engraçado é que existe um detalhe muito latente e empregado em todos os personagens: o ENORME NARIZ. Nunca vi tanto personagem narigudo num mesmo desenho. Jésus! Talvez porque o filme se passe na França, fale de gastronomia, que lembra pessoas chiques e ricas, que lembra pessoas de nariz grande. Sim, porque a grande maioria das pessoas chiques e ricas têm nariz grande… Talvez até usem a elegância e o bem-vestir para enganar o tamanho do "naso". Mas se fosse pra fazer um filme de gente nariguda, melhor seria escolher a Itália como cenário.
Bom, mas o fato é que isso "incomodou" o meu olhar a todo instante. Acho que a indústria de filmes de animação tá saindo de um padrão "princesas e príncipes da Disney" pra personagens menos esteriotipados, com traços menos delicados e mais reais (quanto a figuras humanas). Tenho adorado isso. Se bem que imitar a realidade não é foco dos filmes de animação. Melhor que continuemos fantasiando ratos mestre-cuca, princesas-ogras com arrotos ferozes, esquilos malucos e que, após um dia conturbado no trabalho, se possa sentar numa sala de cinema e se entreter, de verdade.
E se alguém souber o porquê dos narigões, me avise.
