humpf.

25 May, 2008

mais um

esse blog não tem o propósito de ser bom. ele reflete o modo como vejo certas coisas, como sinto certos momentos. é uma caderneta virtual que me permite frisar certos acontecimentos em forma de pequenos (e medíocres) textos.

***

e hoje é um dia especial. hoje ele faria 24 anos de muita juventude e eu faria aquela piada besta dos tais 24… se ele estivesse em porto alegre, provavelmente eu não estaria em erechim, porque ele sempre tinha uma programação divertida pro seu aniversário e eu sempre fazia questão de participar, né? mas ele também poderia estar pelo mundo afora, ganhando milhares de dólares e sendo reconhecido pelo seu talento invejável. nem sei.

como este futuro não chegou, fico com a lembrança dos velhos momentos, que me fazem recordar dele com carinho e com lágrimas nos olhos, por ainda não acreditar que, de repente, ele foi arrancado da vida de tanta gente.

eu sei que tu estás cuidando de todos nós, sei que tu escuta toda vez que falo contigo e espero que tu não andes te aproveitando dos teus poderes sobrenaturais pra espiar tuas amigas em certos momentos… isso parece ser engraçado!

um dia a gente se encontra e ainda faz uma mega chinelagem nesse outro espaço aí.

muita saudade, gabriel. eu ainda comemoro o dia em que tu nasceu e comemoro ter te conhecido, mesmo com a tristeza de saber que não poderei te dar um abraço.

esteja em paz, honey.

4 December, 2007

um ano sem uma beijoca melecada

um ano sem ti, que mais parece um mês, já que ainda está difícil aceitar. e sei que não vou, que vou viver o resto dos meus anos achando que tu está viajando por algum país gelado, fazendo aventuras pelas noites de porto alegre, fumando charutos e bebendo uma vodka por aí. vou continuar vivendo sem entender que tu simplesmente se foi, mas sem te aguardar, pois tu era daqueles que sumiam por um tempo e, de repente, surgia debaixo da janela convidando pra um café.

faz um ano que eu e o resto do mundo vivemos sem teu sorriso grande e tua risada alta e descontrolada. sem um ótimo DJ, um ótimo fotógrafo, um ótimo companheiro. e faz um ano que vivo quase todos os dias pensando em ti, quem diria.

um ano sem um homem capaz de dar um beijo molhado na minha bochecha, pra que eu limpe fazendo cara de nojinho depois. faz falta.

cuida da gente, gabriel.

 

 

8 December, 2006

:´(

Parece que faço só pra me machucar, mas realmente não consigo ficar um dia sem correr atrás de notícias, homenagens, textos, fotos ou o que for sobre o Gabriel. Pode parecer martírio, loucura, tortura, sei lá… talvez seja saudade, talvez eu busque consolo e palavras que me façam, de verdade, acreditar na morte dele. E eu ainda não acredito, tá difícil de aceitar.. Não consigo pensar que toda aquela energia, aquela vida, se resumiu ao corpo pálido que vi no começo desta semana, coberto por flores.

Eu gostava muito do Gabriel, mas nunca consegui expressar isso muito bem, devido às circunstâncias da vida. E também achava o abraço dele um dos melhores… sempre sincero e bem apertado, fazendo me sentir protegida. E isso também não consegui dizer. Ultimamente não nos víamos muito, também devido a essas mesmas circunstâncias…. Mas, espero que, onde quer que ele esteja agora, ele saiba que foi importante pra mim e que eu o adorava demais.

O Gabriel está nos melhores momentos que vivi. Nunca vou esquecer dos cafés que tomamos juntos, das noites na Lancheria do Parque que passamos bebendo vinho ruim, das nossas conversas sobre qualquer coisa, que sempre acabavam em gargalhadas. Nunca vou esquecer da vez que passamos por quase todos os bares da cidade, atrás de uma tal vodka polonesa, que ele fazia questão de me apresentar. Nunca vou esquecer da madrugada em que visitamos juntos quase todas as pracinhas de Porto Alegre e brincamos freneticamente em todos os brinquedos: gangorra, escorrega, balanço, até eu tomar um tombo e bater a cabeça… Crianças em chamas! Nunca vou esquecer dos encontros no Via Imperatore em que ele pedia um prato engraçado, apenas bife e um ovo frito, das vezes que, altas horas, ligávamos para o Antenor só para encher o saco e rir da velhice dele. Nunca vou esquecer do dia que, em meio à José do Patrocínio, tentava lhe ensinar alguns passos da patinação artística: salto inglês, passo de valsa e etc e tal. Tiramos várias fotos nesse dia, mas ainda não as vi.

 
Toda vez que tenho uma reunião no trabalho, alguma coisa mais séria, me lembro do dia em que ele me pediu para eu soltar os cabelos porque, assim, pareceria mais adulta. Não faz muita diferença, mas eu acreditei nisso e faço questão de soltar as madeixas quando preciso parecer gente grande… 

Foram tantas coisas que fizemos juntos, tantas besteiras e loucuras!

 
Eu sei que também o magoei algumas vezes e não fui capaz de pedir desculpas. E hoje isso me deixa extremamente triste, pois oportunidades não faltaram. Acho que foi vergonha, medo, não sei. Sorry, honey.

Mas a questão é que eu ainda não acredito que, quando estiver pelo Bell’s ou passeando pela Cidade Baixa, não vou mais encontrar aquele rapazinho estiloso, pronto pra me dar um abraço e um beijo, cantar Kaiser Chiefs comigo e me convidar para uma indiada pela madrugada afora. Não consigo imaginar que nunca mais vou poder ouvir aquela voz, aquela risada peculiar, aquela ironia que ele fazia questão de colocar nas palavras… "Isso não faz nenhum sentido!"

Não imagino uma chinelagem sem ele, uma festa sem ele, um drum’n'bass sem ele, um café sem ele, um charuto sem ele, uma boina sem ele, o Insanus sem ele, meu passado sem ele e também não imaginava meu futuro sem ele. Tudo que eu vejo hoje, me lembra essa criaturinha e é difícil acreditar que é só lembrança, que não vou mais encontrá-lo, que não vou mais dançar com ele, cantar com ele, ganhar o abraço bom…

Enquanto ia para o cemitério, ainda atônita e perplexa com a notícia da morte dele, escutava o novo álbum do Sparta, "Threes", precisamente a música 8, "False Start". E por mais que a letra não tenha nenhuma relação com o que se passava naquele instante, a melodia não sai da minha cabeça até hoje, se tornou a trilha sonora de um dos dias mais tristes por que passei. A todo insante me vejo murmurando essa música, com o olhar perdido, lembrando dele sorrindo, ou com a mão no queixo, tendo alguma idéia genial e, por fim, acabo em lágrimas, por lembrar que ele se foi de vez.

Eu me sinto privilegiada por ter sido tua amiga, Gabriel. E não deu tempo de montar a minha pasta, pra tu me indicar pra qualquer trabalho aí… Mas tu me deu coragem e isso basta.

Ai ai…A vida te tirou das nossas vidas cedo demais…

 

 

 

Tu ficarás eternamente comigo, Gabriel. Jamais vou te esquecer, queri!






















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